Efetivado no cargo de Presidente da República após a aprovação do impeachment de Dilma Rousseff nesta quarta-feir (31), Michel Temer terá dois anos e quatro meses para cumprir promessas. A redução do desemprego e a busca por investimentos foram citados em sua fala na primeira reunião ministerial.

 O jornal O Globo listou as dez promessas do governo Temer. Confira:

Desemprego

O desemprego bateu dois novos recordes: chegou a 11,8 milhões de pessoas e atingiu 11,6% da força de trabalho no trimestre encerrado em julho deste ano. Temer e sua equipe terão de fazer a economia voltar a crescer, o que, segundo o jornal O Globo, não acontece há oito trimestres.

Agenda de investimentos

Temer terá que mostrar que o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) é apetitoso o suficiente para atrair os investidores às concessões e privatizações consideradas prioritárias para o país e, assim, cumprir a meta de arrecadar R$ 55,4 bilhões em receitas adicionais no ano que vem.

Ajuste fiscal

Temer precisa aprovar a PEC do Teto dos Gastos, que estipula um limite para o crescimento das despesas públicas vinculado à inflação do ano anterior. O ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, disse que o Brasil precisaria de R$ 350 bilhões para controlar o crescimento da dívida pública e recuperar a credibilidade fiscal.

Reforma da previdência

Uma das promessas de Temer é fazer a reforma da Previdência Social. O governo deve enviar a proposta de mudanças ao Congresso ainda este ano. A ideia do governo é alterar a forma de cálculo das aposentadorias para pressionar os trabalhadores a contribuírem por mais tempo. Outra proposta é desvincular do salário mínimo (que permite ganhos reais) o reajuste do piso previdenciário, o que exerce forte impacto nas contas do INSS.

Acordão com o Congresso

O PSDB ameaça deixar o governo se o ajuste fiscal não for levado adiante. O DEM também cobrou o governo na discussão sobre o reajuste salarial dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O apoio do “Centrão”, base formada por Eduardo Cunha na Câmara que luta por sobrevida, é uma incógnita.

Eduardo Cunha

Com o fim do impeachment, as atenções se voltam para o pedido de cassação no plenário da Câmara de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), um potencial delator — fato que preocupa o Planalto. Cunha deixa a entender que tem informações importantes sobre Temer. Segundo o líder da bancada do DEM, deputado Pauderney Avelino, Temer teria dito que “meu governo não é ação entre amigos”.

Lava-Jato

Desde que vieram a público gravações feitas pelo ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, que registrou diálogos de políticos do PMDB, partido de Temer, criticando a Lava-Jato, opositores do presidente dizem que Temer abafaria a operação da Polícia Federal e do Ministério Público. Temer, que, segundo delação de Machado, teria pedido doação de R$ 1,5 milhão para a campanha do então peemedebista Gabriel Chalita à prefeitura de São Paulo, em 2012, afirmou em diversas ocasiões que não vai interferir na investigação.

Processos no TSE

Com o impeachment de Dilma, Temer herda os quatro processos no TSE que pedem a cassação da chapa vencedora das eleições de 2014. As ações preocupam o governo: o temor é que as novas delações na Lava-Jato sejam anexadas e tragam mais dificuldades para Temer. Integrantes do TSE cogitam a possibilidade de pedir os documentos da operação ao juiz Sérgio Moro.

Eleições 2016

Pequisa do Datafolha de agosto apontou que 68% dos entrevistados não votaria de jeito nenhum em um candidato do Rio apoiado por Temer. Em São Paulo, o percentual foi um pouco menor: 65%.

Pressão popular

Temer precisa liderar com uma herança indigesta do impeachment: a polarização política do país. Temer sabe como se comportarão os movimentos populares e os civis que nã apoiaram o impeachment. Pelo o que se espalhou nas ruas das capitais no primeiro dia do mandato de Temer, tudo indica que não ele vai ter paz.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *