O TRONCO DA BANANEIRA

Arcinélio Caldas

(10/06/2008)

A poucas léguas da margem direita do Paraíba, em direção à “Baixada da Égua”, logo após a entrada de Martins Lage, chegamos à propriedade multissecular denominada SAQUAREMA. O local ainda ostenta marcos oblongos de resquícios da importante passagem dos primeiros colonizadores. Ao lado do fogão a lenha da residência de Adauto Francisco de Sá Vasconcellos, conhecido pela alcunha de “CHICO MOTA”, colhemos uma inusitada história do remo local.

Atleta Emérito do Clube do Almirante, o valente voga do Paraíba, “Chico Mota”, vestindo a camiseta regata preta e branca do C.R. Saldanha da Gama, nos idos de 1965, conforme constatado pelo Jornal “O MONITOR CAMPISTA”, deu ao Clube em conjunto com os coirmãos, Rio Branco Regatas e Natação e Regata Campista, o campeonato do ano. No último páreo do programa oficial, com a incumbência de somar 05 pontos para o Saldanha sagrar-se campeão da regata, pois, encontrava-se 05 pontos à frente do segundo colocado, Clube de Regatas Rio Branco e 10 pontos à frente do terceiro colocado e favorito no páreo, Clube de Natação e Regata Campista, o imbatível remador traçou um estratagema.

Embora não estivesse na melhor forma física naquele ano, “Chico Mota” adunou-se ao não menos brilhante desportista do remo MARCO AURÉLIO MOTA, que atende pelo apelido de “MARCOS VERGALHÃO” e, patroneados por Leandrinho, aceitaram o desafio de levar pelo menos ao 2º lugar do último páreo do programa oficial o “dois com” saldanhista, mediante a estratégia do Chico Mota: “Vergalhão se eu não aguentar para garantir o 2º lugar, você dá um facão e eu viro o barco com o corpo, ficando o Leandro incumbido de apanhar os remos, enquanto nós dois desviramos o ‘out rigger”.

E assim foi feito. Dada a largada no disparo da garrucha, a dupla saldanhista aguentou na raia norte a pressão do C.N.R. Campista até a entrada da ponte de ferro, caindo para o 2º lugar, com o C.R. Rio Branco em terceiro assediando pelo centro. Na altura da ponte de pau ou ponte do meio, sentindo iminente a queda para o último lugar, o que comprometeria o êxito do Clube na regata, que aparentemente parecia ganha, nosso herói conforme planejado, gritou para Vergalhão: “Dê o facão!” E, ato contínuo, com o corpo virou o barco para espanto dos adversários.

O conjunto rio-branquense em nome da solidariedade desportiva socorreu os adversários. Páreo suspenso, Chico Mota sob influência dos “Cartolas” do remo local, inusitadamente, sob vaias e veementes protestos das torcidas contrárias, consegue convencer a Comissão de Julgamento das Regatas, argumentando: “O barco virou em virtude do choque entre o remo de Vergalhão e um fuste de bananeira.” Cumprido o regulamento, favorável à manutenção das posições dos barcos no momento da paralisação, após tapas e sopapos entre dirigentes das agremiações envolvidas na trama, os Clubes terminaram empatados em pontos e comemoraram o título em conjunto, com os nossos valorosos e dissimulados atletas, todos CAMPEÕES, passando para a história que sempre será lembrada.

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